História de Natal

Bem-vindo ao Rio Grande do Norte

História: Fundação, Conquistas e Colonização.

O Estado do Rio Grande do Norte, um dos menores em extensão territorial, encontra-se historicamente inserido desde os princípios da colonização portuguesa no Brasil com as Capitanias Hereditárias, instauradas por volta de 1530. A Capitania do Rio Grande do Norte surgiu com 100 léguas de extensão, a começar da Baía da Traição (limite sul), onde terminavam as terras da Capitania de Itamaracá, até o Rio Jaguaribe, limite com o Ceará. Para efetivarem a conquista e posse da Capitania do Rio Grande do Norte, seus beneficiários organizaram uma expedição que partiu de Lisboa em novembro de 1535. O resultado foi um completo fracasso, que culminou no naufrágio nas águas do Maranhão, devido à forte resistência encontrada entre os índios potiguares aliados aos franceses. Uma segunda expedição também foi empreendida sem sucesso.

Dessa forma, a Capitania do Rio Grande do Norte permaneceu abandonada por muitos anos. Após a morte do seu donatário, em 1570, o rei concedeu aos seus herdeiros uma indenização e a capitania continuou a pertencer à coroa, quedando-se completamente abandonada. Com o abandono da região, os invasores estrangeiros, em especial os franceses, se aliaram aos índios potiguares e passaram a contrabandear o pau-brasil que existia em abundância no litoral. Essa situação perdurou por quase 50 anos. Neste intervalo de tempo, ocorreu a união das coroas ibéricas, com a sucessão ao trono português do rei Felipe II da Espanha. A perda da independência política de Portugal e suas colônias acarretaram uma série de alterações no processo de colonização no Brasil, entre elas o esforço para retomar o controle das capitanias que estavam abandonadas, como o Rio Grande.

Dessa forma, foram expedidas cartas régias em 1596 e 1597 ao Governador Geral D.Francisco de Souza, e aos capitães-mores de Pernambuco e da Paraíba, ordenando a conquista das terras potiguares, e acrescentando que se fundasse ima cidade e que se construísse uma fortaleza para sua defesa. Em cumprimento a essa carta régia, uma expedição de conquista foi organizada, comandada por Mascarenhas Homem, capitão-mor de Pernambuco, dividida em dois grupos: um seguiu por mar, liderado por Mascarenhas Homem, e o outro por terra, liderado por Feliciano Coelho, capitão-mor da Paraíba.

Desta vez os colonizadores conseguem sair vitoriosos nas lutas contra os indígenas e iniciam a construção da fortaleza, seguindo a recomendação das cartas régias, que recebeu o nome de Fortaleza dos Reis Magos, devido a sua construção ter sido iniciada no dia 6 de janeiro de 1598, Dia de Reis. O dia 24 de junho do mesmo ano pe apontado como a data em que Mascarenhas Homem entregou as chaves da Fortaleza, juntamente com o encargo de capitão dela, a Jerônimo de Albuquerque, índio mestiço que participou da expedição de conquista da Capitania. A Jerônimo de Albuquerque coube também a tarefa de articular um tratado de paz com os indígenas Pau Seco e Sorobaré, solenemente ratificado na Paraíba, a 15 de junho de 1599.

Para completar a recomendação do Governo Geral, restava apenas a fundação da cidade. Ao que tudo indica, Natal, atual capital do Estado do Rio Grande do Norte, foi fundada por Jerônimo de Albuquerque que, saindo da Fortaleza dos Reis Magos no dia 25 de dezembro de 1599, no local onde hoje está localizada a praça André de Albuquerque, demarcou o sítio da cidade que recebeu este nome em homenagem a data festiva cristã que comemora o nascimento de Jesus Cristo.

Os primeiros 30 anos da capitania caracterizavam-se pelo retardamento do seu processo de desenvolvimento, onde tanto o povoamento como o cultivo da terra aconteciam vagarosamente. A grande maioria das famílias era indígena, sendo muito reduzido o número de europeus, que nessa fase inicial não ultrapassava 80 pessoas, quase todos militares e seus familiares. A colonização caminhava em relativa paz com os índios, e o sertão era pouco a pouco desbravado. Os dois centros mais populosos eram Natal, com 30 a 35 casas, Ferreiro Torto e Cunhaú. As primeiras atividades econômicas da capitania são caracteristicamente de subsistência, fundamentando-se na pecuária, na pesca e na agricultura de mantimentos (especialmente mandioca).

A inícios do século XVII, estava instituído, portanto, o assentamento da administração da Capitania do Rio Grande e definidos os limites dos novos distritos. Todavia, a união das coroas ibéricas, de 1580 a 1640, além de ter acarretado a perda da independência política de Portugal, significou também a invasão de sua colônia na América pela Holanda, inimiga tradicional da Espanha e que queria garantir a continuidade do abastecimento do açúcar, o qual refinava e distribuía na Europa. A solução foi invadir o nordeste brasileiro, principal produtor de açúcar no Brasil e no mundo de então.

Após a conquista holandesa das Capitanias da Bahia, sede do Governo geral, e Pernambuco, uma expedição para a conquista do Rio Grande do Norte partiu de Recife no dia 5 de dezembro de 1633, composta por 11 navios, desembarcando na Praia de Ponta Negra na manhã de 8 de dezembro de 1633. Chegando em Natal, parte da tropa rumou para a Fortaleza dos Reis Magos, que se rendeu no dia 12 de dezembro de 1633. A Fortaleza passou a se chamar Castelo Keulen, sob o comando do capitão Joris Garstman, que deu início a um domínio que durou cerca de 20 anos. Natal recebeu o nome de Nova Amsterdã, e iniciou-se na Capitania do Rio Grande uma frase que se caracterizou pelo completo abandono, violência e atraso na colonização, uma vez que aos invasores somente interessava o fornecimento de gado para o consumo dos soldados e da população de Pernambuco. Destaca-se nesta época o massacre cometido pelos indígenas tapuias, liderados pelos holandeses, aos moradores das povoações de Cunhaú, atualmente tidos como mátires da resistência portuguesa no Estado.

O domínio holandês no Rio Grande do Norte durou de 1633 até 25 de janeiro de 1654, com a capitulação dos invasores, que assinaram o acordo da Campina do Taborda, em Recife, pelo qual abandonavam o país. Com a expulsão dos holandeses, iniciou-se na Capitania do Rio Grande mais uma fase no seu processo histórico de desenvolvimento para recuperação do seu ritmo administrativo, social e econômico.

Fonte: MARIZ, Marlene de Silva. O Rio Grande do Norte e o descobrimento do Brasil. In: Terra potiguar: uma viagem pela beleza e pela beleza e pela cultura do Rio Grande do Norte. Barcelona: Bustamante, 1999, p. 40-65.